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Exibição no Boteco

A rua estava silenciosa, o ar quente da madrugada grudava na pele.
Hérika vinha caminhando ao lado de Kadu, de salto alto, um microvestido preto tão curto que a cada passo parecia subir meio centímetro.
E por baixo? Nada. Nem um fio.
Como sempre.

Voltavam da balada. Ela rindo, os olhos brilhando, suada, deslumbrante.
Kadu carregava o volante com os dedos tremendo.

— Amor… tô com sede — disse ela, de repente.

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— Já estamos chegando em casa — respondeu ele, com a voz rouca.

— Não. Tem que ser agora. Eu vou ali naquele boteco comprar uma água.

Kadu olhou. Um boteco sujo, de esquina. Aberto. Iluminado por uma luz fluorescente amarelada.
E cheio.
Uns cinco ou seis homens encostados no balcão. Camisas abertas, copos suados nas mãos, olhares pesados.

— Hérika… aí não, olha como tão os caras…

— Tô com sede. Fica aqui no carro — disse ela, já abrindo a porta e saindo.

Kadu ficou paralisado.
Ela atravessou a rua com a confiança de uma mulher que sabia exatamente o que era — e o que causava.

Os homens a viram de longe. Um deles cutucou o outro. Os olhares mudaram. Corpo tenso. Silêncio súbito.
Uma visão impossível entrou no bar.

Vestido tão curto que a curva da bunda aparecia na contra-luz da rua.
Pernas longas, pele branca, salto alto fazendo eco no chão de cimento.
Seios marcando cada batida do coração por baixo do tecido fino.

Ela chegou ao freezer, abaixou-se pra pegar a garrafinha de água. O vestido subiu. Subiu mais.
Um deles arregalou os olhos, como se tivesse visto o paraíso.

Ela se levantou, abriu a tampa da garrafa e tomou em goles lentos, sensuais.
A boca molhada. A cabeça inclinada pra trás.

Kadu, no carro, suava. Sentia o pau latejar.
“Ela tá fazendo de propósito. Vai deixar esses caras loucos.”

Hérika chegou ao balcão.

— Quanto deu?

— Dois e cinquenta… — disse o atendente, com dificuldade pra falar.

Ela passou as mãos no vestido, como se procurasse algum bolso inexistente.

— Ai, que droga… esqueci o dinheiro. E não aceitam cartão, né?

— N-não — respondeu o dono, olhando com atenção quase criminosa.

Ela mordeu o lábio. Olhou para os homens. Depois para a garrafa na mão.

— Já tomei, né… que situação. Acho que vou ter que pagar de outro jeito.

O silêncio virou tensão. Dura. Quase sexual.

Um dos homens tossiu. Outro se ajeitou na cadeira.
O clima estava carregado, denso, prestes a explodir.

Ela encostou os cotovelos no balcão, inclinando-se pra frente. O decote praticamente derramou os seios sobre o balcão.
O vestido subiu atrás.
Ali, naquele momento, ninguém conseguia mais disfarçar.

— Não precisa pagar, moça — disse o atendente, quase sem voz.

Ela riu.

— Tem certeza? Não vou deixar vocês no prejuízo.

Ela virou-se devagar, jogou o cabelo para trás, e saiu como se desfilasse num palco.

Kadu abriu a porta do carro. O coração disparado.

— Você enlouqueceu. Você quase…

— Shhh… — ela disse, colocando a garrafinha entre os seios. — Eu só paguei com o que eu tenho de mais valioso.
Um pouquinho de mim.

Subiu no carro cruzando as pernas devagar, como uma víbora sensual.
A cidade dormia.
Mas ali, naquele boteco, ninguém jamais esqueceria aquela madrugada.

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