A batida da música fazia o chão vibrar. As luzes pulsavam como um coração descompassado, acompanhando o ritmo do desejo que parecia preencher o ar.
Kadu ainda tentava entender como teve tanta sorte. E como, ao mesmo tempo, podia sofrer tanto prazer.
Hérika saía do banheiro do camarote com aquele sorrisinho safado no rosto. O vestido era um absurdo: curtíssimo, colado ao corpo como uma segunda pele. Preto, liso, com um tecido tão fino que parecia desenhado com tinta sobre sua pele branquinha. Cada curva — a cintura fina, a bundinha empinada, os seios enormes que ameaçavam explodir pelo decote generoso — saltava aos olhos como um convite proibido.
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Ela se aproximou dançando, olhando direto nos olhos dele.
— Tô com calor… — murmurou no ouvido de Kadu, enquanto se inclinava devagar, deixando o decote praticamente engolir sua visão. — Tirei a calcinha. Tá melhor agora.
O coração dele parou por um segundo. Hérika voltou a dançar como se nada tivesse acontecido, girando sobre si mesma, fazendo a barra do vestido subir só um pouquinho a mais. E aquele “só um pouquinho” era tudo.
A cada movimento, Kadu notava o risco. Quando ela se inclinava, quando levantava os braços… qualquer ângulo era uma chance perigosa. Mas ela estava amando aquilo. Amando ser olhada, desejada, admirada sem vergonha. Era como se tivesse descoberto uma nova versão de si — mais livre, mais viva.
E então aconteceu.
No meio da pista, um grupo de rapazes a olhava discretamente. Hérika percebeu. Dançou mais perto deles. Fingiu não ver. Ou talvez não fosse fingimento. Passou de costas, rebolando como se não soubesse que o vestido subira demais. Mas ela sabia. Sabia que estavam vendo. O paraíso, nu. Sem barreiras, sem filtros.
Kadu assistia de longe, sentindo o sangue ferver, a respiração travar, o ciúmes e o tesão se misturando num coquetel perigoso e viciante. Era o fetiche dele ganhando vida. Só que agora… era ela quem tomava o controle do jogo.
Um dos rapazes murmurou algo ao outro, sorrindo. O outro assentiu. Riram discretamente.
E Hérika voltou para Kadu como se fosse uma menina inocente. Sorriso doce. Olhar de anjo. Mas nos olhos… um brilho malicioso que ele conhecia bem.
— Tá bravo? — ela perguntou, lambendo o canudo do drink, encarando-o com aquela expressão que o deixava de joelhos.
— Tô completamente… — ele respondeu, ofegante — …duro.
Ela sorriu, satisfeita.
— Então vamos dançar mais um pouquinho… ou você prefere que eu suba naquele palco e tire o vestido de vez?
Ele riu. Nervoso. Excitado. Enlouquecido.
Naquela noite, não houve briga. Não houve culpa. Só desejo. Selvagem. Sem regras.
E uma certeza martelando na cabeça dele: aquela mulher, aquela provocadora doce e perigosa, era sua. E estava cada vez mais impossível de resistir.