A música estava alta, a casa cheia. Era aniversário de um amigo de infância do Kadu. Gente de todos os cantos, algumas caras conhecidas, outras nem tanto. Quando chegaram, Hérika já chamou atenção — como sempre.
Ela usava uma blusinha justa que mal segurava seus seios enormes, empinados, provocantes. E uma mini saia tão curta que, a cada passo, parecia desafiar a física. Sem calcinha? Kadu nem perguntou. Não precisava.
Ela andava como quem sabe que está sendo observada. E adorava isso.
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— Amor, vou ali falar com os caras — disse ele, pegando uma cerveja.
— Vai lá… — ela respondeu com aquele sorriso sapeca. — Eu me viro.
Kadu se distraiu rindo com os amigos, histórias de escola, cerveja descendo leve. Quando olhou ao redor, notou que não via mais a Hérika.
Girou a cabeça. Nada. Passou pela sala. Nada. Perguntou casualmente a uma amiga:
— Você viu a Hérika?
— Tava conversando com um carinha ali no canto, não sei se saíram…
A resposta soou como um tapa no rosto. Conversando? Que carinha? Como assim “saíram”? O coração de Kadu bateu estranho. Primeiro veio a dúvida… depois, o tesão.
Ele procurou por toda a parte. Cozinha, varanda, corredor. Banheiro? Trancado. Bateu. Nada. Esperou. Silêncio.
Quando estava prestes a tentar o andar de cima, ela apareceu.
Veio pela porta dos fundos. Rosto meio corado, cabelo bagunçado, batom um pouco borrado. E aquele andar solto… despreocupado.
— Amor! — ela disse, como se nada tivesse acontecido. — Estava te procurando…
Kadu tentou ler tudo de uma vez: o corpo dela, o olhar, os sinais. Os mamilos estavam duros, marcando o tecido. A saia amassada. Uma gota de suor descia pela têmpora.
— Onde você estava? — ele perguntou, tentando soar casual. Fracassando.
— Tava conversando com o… Felipe? Acho que é amigo do Lucas. A gente foi ver o cachorro dele ali no quintal.
Ela riu. Como se tudo fosse leve. Simples. Como se ela não estivesse com aquele olhar safado que deixava Kadu com o pau duro só de imaginar.
O problema era esse: imaginar.
Ele imaginava tudo.
O cachorro era só desculpa?
Ele segurou sua cintura… ele sentiu algum cheiro diferente nela?
Ela o abraçou, o beijo foi normal… ou tinha algo a mais no gosto?
Estava só excitada… ou recém-saciada?
A cabeça de Kadu girava. O tesão explodia no peito.
A dúvida era uma faca quente cortando o juízo.
Mais tarde, no carro, a caminho de casa, ela colocou a mão na coxa dele. Subiu. Sussurrou:
— Tá tão calado, amor… sentiu minha falta?
Ele não respondeu. Mas estava duro.
Duro de tesão.
Duro de desejo.
Duro de dúvida.
E ela? Só sorria, olhando pela janela.